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domingo, 10 de novembro de 2013

A salvação na terra da bota?

O Napoli é certamente o time italiano na Champions League que vive a melhor fase. É vice líder do Campeonato Italiano e, apesar de ter caído num grupo muito difícil no chaveamento da competição européia, consegue se manter, pelo menos por enquanto, à frente do atual vice-campeão Borussia Dortmund.

O time é um dos grandes da Itália, apesar de viver  um jejum de títulos de muitos anos. Foi campeão europeu na temporada 1988-1989 e campeão italiano duas vezes: 1986-1987 e 1989-1990. Não coincidentemente, todos os títulos de expressão da Società Sportiva Calcio Napoli, que até então era uma equipe muito pequena, foram conquistados durante a passagem de nada mais nada menos do que o craque argentino Diego Armando Maradona.

Depois da saída de El Pibe, o Napoli só voltou a conquistar mais um título de grande expressão: a Copa da Itália na temporada 2010/2011. Além disso, o time enfrentou por algum tempo, dificuldades em manter-se na elite do futebol italiano, tendo caído até para a terceira divisão do Calcio.

Mas nessa temporada, o time vem se destacando por bons resultados, e mesmo na temporada passada, o vice-campeonato premiou uma equipe que conseguiu encaixar-se até rapidamente, e conseguiu uma vaga direta na fase de grupos da Champions League. O elenco foi reforçado com algumas contratações muito pontuais que ajudaram ainda mais no crescimento do time.

Como dito anteriormente, o sorteio não favoreceu a equipe napolitana, caindo no "grupo da morte", contra Borussia Dortmund, Arsenal e Olympique de Marseille. Mas o time italiano vem conseguindo seu espaço na competição, fazendo valer principalmente o fator mandante, com vitórias muito convincentes em seu estádio San Paolo.

O elenco é bastante experiente, a começar pelo goleiro espanhol Pepe Reina, que depois de quase dez anos no Liverpool da Inglaterra, transferiu-se em Julho para o time de Napoli e a transferência parece ter-lhe feito muito bem, pois suas atuações tem melhorado ainda mais, garantindo a ele entrar no rodízio que o treinador Vicente del Bosque faz entre os arqueiros espanhóis, contando também com Casillas e Valdés.

A zaga é muito consistente, com destaque para o italiano e capitão do time, Paolo Cannavaro: o típico zagueiro italiano, sério, ótimo cabeceador, mas um tanto lento. Juntou-se a ele também na última janela de transferências europeias o espanhol Raúl Albiol, que deixou o Real Madrid para tentar a sorte na equipe Azzurri. Outro italiano na defesa é o experiente lateral direito Christian Maggio, por algum tempo titular da seleção da Itália Outros destaques ficam por conta do uruguaio Miguel Britos, o argentino Federico Fernández, os colombianos Juan Zuñiga e Pablo Armero - muito conhecido da torcida do Palmeiras - mais pela sua irreverência do que pela qualidade técnica.

O meio de campo do Napoli conta com jogadores pouco conhecidos, a maioria oriundos de países com pouca expressão no futebol, como é o craque do eslovaco e melhor jogador da equipe Marek Hamsik. Destacado pelo seu cabelo "diferente", Hamsik é um meia-atacante de muita velocidade e ótima qualidade de finalização na perna direita. Já está em sua sexta temporada pelo Napoli Ajudou sua seleção à classificar-se pela primeira vez para uma Copa do Mundo, em 2010, na África do Sul. 
O trio suíço que compõe parte das opções de meio-campo para o treinador Rafa Benítez também merece destaque: Blerim Dzemailli, Valon Behrami e Gökhan Inler chegaram praticamente juntos ao Napoli, e hoje disputam espaço entre os titulares.
Outro jogador que atua na meia napolitana é o jovem croata Josip Radosevic, de apenas 19 anos, recém contratado do Hadjuk Split - um dos maiores times da Croácia - e que vem tendo boas atuações na armação do clube napolitano.

No ataque, os dirigentes do Napoli conseguiram com muito êxito suprir a saída do craque e xodó da torcida Edison Cavani, uruguaio que transferiu-se para o Paris Saint-Germain e juntou-se com outro "ex-ídolo" napolitano que já estava no PSG - Ezequiel Lavezzi. A contratação do argentino Gonzalo Higuaín foi excepcional, tanto para a equipe, que conseguiu substituir seu grande herói recente - guardadas as devidas proporções técnicas - quanto para o jogador, que conseguiu livrar-se da sombra que era o francês Karim Benzema, com quem revezava a titularidade nos tempos de Real Madrid. Camisa 9 da seleção da Argentina, embora contestado por muitos, Higuaín tem conseguido seu espaço, marcando seus gols e se transformando em peça indispensável na equipe italiana.
Nesta mesma leva do Real Madrid também chegou o jovem atacante espanhol José Callejón, veloz e muito oportunista, que tem aos poucos ganhado espaço no time italiano.
Outras opções para o ataque são o bom finalizador belga Dries Mertens, o rodado macedônio Goran Pandev e o o jovem italiano Lorenzo Insigne, que depois de algumas temporadas emprestado a clubes menores, vem tendo nesta temporada as primeiras oportunidades no Napoli.

O treinador espanhol Rafael Benítez é quem comanda esta boa equipe. Depois de uma longa e vitoriosa passagem de seis anos pelo Liverpool, da Inglaterra, e algumas temporadas instáveis por Internazionale e Chelsea, Rafa Benítez parece ter se encontrado novamente com a boa fase no Napoli e vem conquistando ótimos resultados.

É evidente que as dificuldades do Napoli serão muito grandes de classificação na Champions League, sobretudo por ter que enfrentar o Borussia Dortmund na Alemanha, em um grupo que traz três times muito fortes e que podem, sem dúvidas, oferecer resistência aos "poderosos", considerados favoritos.

Será que outro argentino trará mais uma temporada de glória para o time de Napoli?

À sombra do campeão.

O Borussia Dortmund, um dos maiores times da Alemanha, vive um ótimo momento de sua história, tem um elenco incrível, é vice-líder do Campeonato Alemão, é atual vice-campeão Europeu, atua vice-campeão da Bundesliga, atual vice-campeão da Copa da Alemanha...
Mas só vices? 
É...
De pouco tem adiantado a fase excepcional do Borussia, se tem que encarar a melhor fase da história de seu maior rival alemão, o Bayern de Munique. Todos esse vices tem sempre o mesmo clube Bávaro como líder/campeão.

O Borussia é um dos maiores times da Alemanha e da Europa, com 8 títulos alemães, 1 título Europeu em 1996/1997 - e campeão intercontinental no fim de 1997.
Um passado glorioso, mas que não se compara ao início de década de 2010, em que o clube vem alcançando seu maiores e mais expressivos resultados.

E não há como negar: o elenco do Borussia Dortmund é da mais alta qualidade, e de um nível fora de qualquer padrão. Consegue aliar técnica e garra; experiência e juventude; força física e velocidade.

A experiência começa pelo goleiro Weidenfeller, que com 33 anos vive talvez a melhor fase de sua carreira, que já tem dez anos como arqueiro titular do time auri-negro.

A zaga, nem tão experiente, mas muito segura, é um dos pontos fortes desta que é uma equipe muito equilibrada entre defesa-meio-ataque. A começar pelo miolo central, com o alemão Mats Hummels, titular de sua seleção, é um dos melhores zagueiros do mundo na atualidade. Seu companheiro de zaga, o sérvio Neven Subotic é também um excelente zagueiro, muito veloz e ótimo desarmador. Recentemente o clube contratou outro defensor, o grego Sokratis Papasthatopoulos, que apesar do nome complicado, joga simples, e pode ser um substituto, se não à altura, pelo menos ocupando o espaço para uma possível e quase provável saída de Mats Hummels.

Os laterais da equipe de Dortmund são bons. Não são excepcionalmente bons, como a maioria do restante do elenco, mas são suficientemente bons para não comprometer o desempenho da equipe. Na direita, o polonês Lukasz Piszczek: costuma marcar muitos gols. E na esquerda, mais qualificado do que Piszczekm está o alemão Marcel Schmelzer, inclusive convocado algumas vezes para sua seleção.

No meio de campo, a qualidade técnica mesclada com a eficiência tática é o que garante o bom desempenho ofensivo e defensivo do Borussia.
Começando pelo experiente volante Sebastian Kehl, de 33 anos, que nesta temporada firmou-se como titular absoluto dos "pretos-e-amarelos", depois de participar de duas Copas do Mundo com a seleção da Alemanha (2002 e 2006).
Outro grande nome da equipe, que vem conquistando espaço na estelar seleção alemã, é  Ilkay Gündogan: volante muito versátil, ótimo finalizador, e jogador que dá dinâmica às ações do time.
O elenco do Borussia é composto por vários jogadores da seleção polonesa. Um deles é o meia Jakub Blazczykowski - ou simplesmente "Kuba" - um excelente finalizador, joga aberto pela direita e é também detentor de um passe muito qualificado e sempre muito preciso.
Com a perda de um dos principais nomes recentes do Borussia Dortmund, o meia alemão Mário Götze - humildemente conhecido como "o Messi alemão" - o clube precisou ir às compras para encontrar alguém que pudesse substituir à altura a jovem promessa. E a escolha não poderia ter sido mais precisa. E mais cara.Os 27,5 milhões de Euros pagos pelo armênio Henrikh Mkhitaryan foi a maior quantia já desembolsada pelo Borussia por um atleta. Mas... valeu à pena! Depois de algumas temporadas no futebol ucraniano - com destaque para as duas temporadas fantásticas em que atuou pelo Shaktar Donetsk - o jovem armador já se firmou como peça fundamental da equipe alemã, sempre caracterizando suas atuações por muitos gols.
Além destes, a equipe de Dortmund tem outros nomes muito qualificados como opção para o meio campo, como o turco Nuri Sahin, que pertence ao Real Madrid, mas cujo passe está para ser comprado pelo Borussia; e os alemães Sven Bender e Kevin Grosskreutz.

No ataque, o clube tem dois nomes fantásticos, do mais alto nível no futebol mundial. O centroavante e artilheiro Robert Lewadowski - um dos 23 melhores jogadores do mundo em 2013, eleitos pela FIFA. Goleador nato, ganhou ainda mais visibilidade na temporada passada da Champions League ao marcar quatro gols numa mesma partida contra o gigante Real Madrid.
Seu companheiro de ataque é o não menos qualificado Marco Reus - cobiçado por praticamente todos os grandes clubes da Europa - tem um estilo de jogo muito parecido com o do luso Cristiano Ronaldo. Joga aberto na ponta esquerda, tem muita velocidade, capacidade técnica de drible muito aguçada, e um poder de finalização quase sempre fatal. Vem conquistando espaço na seleção da Alemanha, onde precisa disputar vaga com nomes como Thomas Müller, Lukas Podolski, e muitos outros.
Com a iminente saída do artilheiro Lewandowski, o Borussia contratou na última janela de transferências o atacante gabonês Pierre-Emerica Aubameyang, que apesar de não se comparar ao craque polonês, tem muito potencial e pode crescer junto com a equipe. A atleta estava no Saint-Etiénne, da França.

O elenco é muito qualificado, mas o principal mérito por sua montagem e esquematização é do treinador Jürgen Klopp. Depois de sete anos no modesto Mainz 05, Klopp assumiu o Borussia em 2008, e foi o responsável por definir as principais contratações que hoje compõe a equipe, por montar taticamente o time - que foi bi-campeão alemão consecutivo em 2010/2011 e 2011/2012. É um dos melhores - se não o melhor - treinador do mundo, sempre procurando montar um time ofensivo, jogando verticalmente, que hoje tem o melhor ataque do Campeonato Alemão. A vice-liderança se deve a alguns tropeços de começo de temporada, que mais adiante poder punir a equipe , já que o arqui-rival Bayern de Munique já começou a disparar na dianteira da tabela.

Na Champions League, o tropeço em casa diante do inglês Arsenal pode ser fatal para a classificação do Borussia Dortmund no "grupo da morte" da competição, contra, além do Arsenal, Napoli, da Itália e Olympique de Marseille, da França. O time alemão está em terceiro, com 6 pontos - três a menos do que os líderes Arsenal e Napoli. Contudo, se fizer sua parte, o Borussia tem muitas chances de embalar na competição e fazer frente aos "gigantes favoritos" nas fases eliminatórias.

Será a temporada para o Borussia Dortmund desbancar o rival Bayern de Munique?

O "mais" dos "menos"

Dentre os clubes grandes, mas não considerados favoritos ao título da Champions League 2013/2014, talvez o mais badalado seja o inglês Arsenal.

Depois da vitória fora de casa contra o Borussia Dortmund, os Gunners lideram o grupo F, ao lado dos italianos do Nápoli, e a frente dos alemães derrotados na última partida e dos franceses do Olympique de Marseille.

Além do bom desempenho na competição européia, o time londrino lidera o campeonato nacional, 5 pontos à frente dos vice-líderes Chelsea, Liverpool e Tottenham. Tem apenas uma derrota na Premier League, logo na primeira rodada, para o Aston Villa.

Como bem definiu o treinador do Borussia Dortmund, Jurgen Klopp, o Arsenal joga como uma orquestra. E o seu regente Arsène Wenger tem conseguido manter sua equipe muitíssimo afinada.

O goleiro da seleção polonesa Szczesny vive uma grande fase no clube londrino, e apesar da pouca idade, já é um ponto de segurança da equipe, sempre passando muita confiança aos companheiros.

Os laterais talvez sejam o ponto mais contestável da equipe: nem o francês Sagna na direita, nem o inglês Gibbs na direita são grandes craques, mas ainda assim são titulares absolutos, sem muita sombra de seus reservas.

O miolo de zaga, por outro lado, é um dos pontos fortes dos Gunners: tanto o alemão Mertesacker, quanto o belga Vermaelen - titular absoluto de sua seleção - e também o francês Koscielny, são fonte de segurança e garantia de seriedade e firmeza na defesa da equipe.

Mas o setor do time do Arsenal que mais impressiona pela qualidade e pela qualidade de bons jogadores à disposição de Wenger é, sem dúvidas o meio-campo: 
- o melhor deles, o alemão Özil, recém saído do Real Madrid, agora tem espaço para brilhar e mostrar todo seu futebol. Marca gols, passa, dribla, marca. Mesmo com o pouco tempo de Inglaterra, já está perfeitamente adaptado e tem exercido genialmente a função de motor da equipe; 
- o espanhol Santi Cazorla: ótimo finalizador e com muito boa visão de jogo; 
- outro espanhol, que joga um pouco mais recuado, é Mikel Arteta, igualmente bom finalizador e excelente marcador, tem sido, por vezes, capitão da equipe/
- o galês Aaron Ramsey: um dos melhores volantes da Europa, vive grande fase após se recuperar de uma gravíssima lesão que o deixou fora de boa parte da temporada passada, e constantemente listado entre o artilheiros da equipe pela qualidade fora do comum com que chuta a gol;
- o veterano Thomas Rosicky, titular a sete anos do clube londrino e a mais de dez da seleção tcheca, tem como principal virtude a qualidade de passe, que parece melhorar a cada ano que joga;
- o jovem inglês Wilshere, um atleta que tanto pode atuar como primeiro volante, como meia-armador. Começou a entrar em campo pelos Gunners quando tinha apenas 16 anos. É altamente cobiçado por vários gigantes europeus e apesar dos seus atuais 21 anos, já é titular da seleção inglesa.
Outros meias de nome na Europa também constam na lista estelar do Arsenal, mas nem sempre tem espaço entre os titulares, como os franceses Flamini e Diaby - este último, lesionado - e o ganês Frimpong.

Já no ataque, o Arsenal tem bons nomes, mas que atualmente sofre pois alguns dos principais jogadores ofensivos da equipe estão lesionados. É o caso do alemão Podolski, do velocista inglês Theo Walcott, do jovem também inglês Oxlade-Chamberlain, e do francês Sanogo. Ainda assim, o grande artilheiro da equipe, o francês Olivier Giroud, não só está atuando, como está em ótima fase. E há ainda peças importantes de reposição, como o dinamarquês Bendtner e o sul-coreano Park Chu-Young.

Com todas os bons jogadores que a equipe tem, e apesar do difícil grupo em que o Arsenal ficou na Champions League, o time deverá se classificar à próxima fase, e apesar de o bom momento ainda ser recente, os Gunners devem oferecer muito perigo e resistência aos considerados favoritos, principalmente pela força e tradição do clube, e a ótima qualidade do elenco, orquestrado por Arsène Wenger.