O que tem acontecido nos dias que se seguem ao fim da Campeonato Brasileiro é uma sequência de tentativas desesperadas de clubes considerados grandes, objetivando fugir do rebaixamento através de ações extra campo, movidas por vias judiciais, já que dentro de campo tais equipes foram tão ou mais medíocres e ridículas, quanto tem sido fora dele.
Fluminense e Vasco tentam arrumar brechas no regulamente para escapar de um descenço que é motivado por inúmeros outros motivos, que variam muito longe dos alegados nos recursos que movem junto ao STJD.
Convenhamos: o Vasco não foi rebaixado porque o jogo contra o Atlético-PR ficou parado (graças à briga de seus próprios torcedores) 16 minutos a mais do que a uma hora prevista como passível pelo regulamento. Uma mesquinharia que beira o desumano, visto que o jogo ficou paralisado tanto tempo tendo em vista a grave situação de alguns torcedores depois da batalha promovida entre os próprios.
O rebaixamento da equipe de São Januário é causado pela vergonha que é a administração financeira do clube. Jogadores sem salário não rendem. A derrota na última partida - em cujo resultado nada interferiu a paralisação - foi só mais uma da temporada tenebrosa vivida pelo clube.
Convenhamos II: tudo bem que o regulamento é claro, e que o meia Héverton não deveria ter entrado em campo na última rodada, contra o Grêmio, mas que diferença isso faz nos reveses incansáveis do tricolor carioca no campeonato, ou mesmo na vitória sobre o Bahia, na última temporada? Que diferença Héverton fez no jogo contra o Grêmio, que possa ter influenciado no desempenho do Fluminense na temporada - tão vexante quanto a do rival Vasco?
Nem quero mencionar aqui a discutível imparcialidade dos julgamentos promovidos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, sempre desfavorecendo atletas de clubes de "menor expressão".
A Portuguesa tem que ser punida? Sim.
Rebaixada? Talvez!
E o Fluminense salvo? De forma nenhuma!
Se a Portuguesa tem que sofrer punição, que sejam 5 os rebaixados, e consequentemente 5 os promovidos da Série B para a Série A em 2014! Que se rebaixe Fluminense, Portuguesa, Vasco, Ponte Preta e Náutico, enquanto suba, além dos já classificados Palmeiras, Chapecoense, Sport e Figueirense, o quinto colocado na Segundona 2013, no caso o Icasa.
Pela vergonha das temporadas que fizeram, Vasco e Fluminense deveriam jogar a Série B de 2014, com a humilhação de estar na Segundona, mas com a certeza de estar, por caminhos limpos, onde fizeram por merecer. Muito melhor do que estar na primeira divisão, mesmo sabendo do campeonato ridículo que fizeram em 2013.
Só o que não precisamos é de mais um caso em que "clubes pequenos" sejam desfavorecidos, não para pagar por seus erros, mas para beneficiar "clubes grandes". Não precisamos de mais um caso de "virada de mesa" envolvendo os grandes do Brasil, como já aconteceram, envolvendo - inclusive - o próprio Fluminense.
Nosso futebol já tem motivos pra se envergonhar, muito mais do que mais uma jogada política de influências e de poderes.
Só um último comentário, inútil, mas sincero: com a experiência de torcedor que viu seu time passar por isso mais de uma vez, jogar a Série B é triste, humilhante, vergonhoso, decepcionante, mas como todas as vivências nos "níveis inferiores", é um acontecimento enriquecedor - se não financeiramente (que é para onde todos olham), pelos menos são experiências muito importantes que podem ser adquiridas.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
A vergonha de quem está acostumado a virar a mesa
Fanatismo ridículo: uma sociedade sem limites.
É revoltante, vexante, vergonhoso, desmoralizante e extremamente decepcionante ver cenas como as ocorridas durante o jogo entre Atlético-PR e Vasco, na última rodada do Campeonato Brasileiro.
Briga sem explicação, violência inútil, sem sentido, iniciada não se sabe por que(m) e com que motivo.
Pra começar, os dois times disputavam coisas completamente distintas na competição: Atlético precisava de um empate para garantir a vaga na Libertadores, enquanto Vasco precisava da vitória para fugir do rebaixamento. O resultado final da partida, 5x1 para o clube paranaense, foi o menos relevante.
Todos sabem o que foi que aconteceu: o jogo ficou parado enquanto torcedores de ambos os lados protagonizavam cenas brutais e desumanas de luta-livre, enquanto a segurança do interior do estádio se omitia, e a polícia militar, que estava no lado de fora, teve dificuldades em entrar nas arquibancadas do estádio em Joinville e interceder para que a batalha campal tivesse fim.
Não bastasse isso, o caso é seguido por nova disputa, agora burocrática entre Ministério Público e Polícia Militar, um alegando que o outro interferira para que a PM não entrasse no estádio, como é praxe na maioria das partidas de futebol no Brasil.
Agora convenhamos? De que importa saber de quem é a culpa por a polícia não estar dentro do estádio? Selvagens que se dizem torcedores, como aqueles que estavam no duelo em Joinville, quando estão dispostos a brigar, não medem esforços, e ultrapassam a barreira que for, seja de Polícia Militar, seja de segurança particular.
O que queremos é a identificação de todos os envolvidos e as respectivas punições, com o banimento - não temporário, mas permanente - de sua presença em eventos esportivos. Se essa fosse a medida padrão, teríamos menos pessoas envolvidas na briga, visto que alguns dos participantes - vascaínos, no caso - já estiveram envolvidos em brigas este ano mesmo, no jogo contra o Corinthians, em Brasília.
Discutir de quem é a culpa da ausência da PM dentro do estádio, além de inútil, só acoberta as ações de violência e vandalismo. Se as torcidas realmente fossem organizadas e civilizadas, não seria necessária a presença de qualquer tipo de segurança, uma vez que - assim espero - o objetivo de ir a um estádio de futebol ainda é torcer por seu time, pela vitória do clube que o representa, não para torcer pela desgraça do adversário, nem deixar que o duelo extrapole o limite das quatro linhas.
Esse fanatismo idiota e sem controle vai acabar por terminar com as torcidas nos estádios brasileiros. É uma situação extrema, mas é para onde trilham os rumos das torcidas organizadas que tomam conta das arquibancadas dos nossos estádios.
Esse fanatismo repugnante nos faz repensar vários conceitos e idéias pressupostos, não só para o futebol, mas para a sociedade como um todo.
Uma sociedade sem limites.