quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A seleção da UEFA

Hoje tive contato com a lista de jogadores que a UEFA elegeu como sua seleção de melhores na temporada 2013. E para o meu próprio espanto e de muitos mais, acabei gostando bastante das escolhas feitas, principalmente em comparação à seleção feita pela FIFA.

É verdade que no setor defensivo pouco mudou, continuam Manuel Neuer (Bayern de Munique) como goleiro, Phillip Lahm (Bayern de Munique) como lateral-direito, Thiago Silva (Paris-Saint Germain) e Sérgio Ramos (Real Madrid) como zagueiros – apesar de continuar achando este último um jogador grosso, pouco habilidoso e extremamente violento, e facilmente substituído pelo alemão Matts Hummels, do Borussia Dortmund. O que, em suma, mudo na defesa das “seleções” foi o lateral-esquerdo: ao invés do bisonho e ultrapassado lateral-direito brasileiro, Daniel Alves (Barcelona), o jovem e promissor austríaco David Alaba (Bayern de Munique).

No meio-campo é onde ficam as modificações mais significativas: no lugar do “puxassaquísmo” barato ao Barcelona – elegendo os espanhóis Xavi e Iniesta, mesmo em temporadas apenas medianas – uma escolha mais diversificada, com o alemão Mesut Özil (Real Madrid/Arsenal), sobretudo por seu genial início de temporada na equipe londrina, Marco Reus (Borussia Dortmund),  alemão que, apesar da sombra vivida pela auri-negra  sob o ano mágico do Bayern de Munique, conseguiu uma temporada de ótimas atuações e números fantásticos. Além deles, o galês Gareth Bale (Tottenham/Real Madrid) - "o mais caro da história" - que vai aos poucos se adaptando ao time da capital espanhola, depois de algumas temporadas fenomenais no clube londrino. Muitos podem dizer que ele está demorando muito a se adaptar no Real, que ele não merece o valor que foi pago por ele... o que eu sei é que ele fez o suficiente para constar nesta lista, e continua sendo infinitamente melhor que Neymar. E para completar o meio da seleção da UEFA, da FIFA, de qualquer admirador do bom futebol, o francês Frank Ribéry (Bayern de Munique) – ídolo da equipe bávara, cérebro e destaque individual deste time que tanto nos ensinou a jogar coletivamente.

E no ataque: o melhor do mundo – segundo a FIFA -  em 2013, o português Cristiano Ronaldo, que dispensa comentários, seja nos jogos pelo Real Madrid, seja pela seleção lusitana, cuja classificação ao Mundial deve em boa parte ao gajo, camisa 7 madridista. Ao lado dele, o melhor centroavante do mundo, o sueco Zlatan Ibrahimovic (PSG), dono de muitos e muito bonitos gols na Ligue 1 e nas atuações pela seleção da Suécia. Mesmo com a eliminação para Portugal, o gigante sueco provou sua capacidade técnica e de liderança ao dificultar ao extremo o caminho luso para o mundial. O grande azar de Ibra foi ter que disputar na repescagem uma vaga justamente contra Cristiano Ronaldo.

Assim, a escalação da entidade europeia foi muito menos tendenciosa e muito mais justa, condecorando jogadores que realmente fizeram temporadas muito boas.  A ausência, sobretudo, do argentino Lionel Messi é injusta? Talvez! Mas não há como negar que os escolhidos pela UEFA fizeram tanto ou mais por merecer para estarem nesta lista

Parabéns à UEFA!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A simpática Colômbia

Uma das mais simpáticas e mais competentes seleções classificadas para o mundial é a da Colômbia.
Radamel Falcão Garcia - Grande destaque da Seleção da Colômbia

Com pouca tradição no futebol - pelo menos até o começo da década de 1990 - a equipe tem apresentado um crescimento notável, e tem uma safra de jogadores muito bons e muito técnicos. 
Esta talvez possa ser a grande virtude para o time na campanha do mundial deste ano. Superar a máxima que diz que colombianos só sabem correr em campo, que não possuem qualidade técnica alguma, que - apesar de vez ou outra pregarem peças às seleções de maior expressão - nunca chegam a lugar algum.

Pela maioria dos que acompanham futebol, a geração colombiana que disputou a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, foi a melhor de todos os tempos produzida pelo pais. Comandada pelo lendário cabeludo Carlos Valderrama, o time que ainda tinha nomes como Freddy Rincon, Faustino Asprilla e o artilheiro Adolfo Valencia, ficou aquém das expectativas, e numa chave contra os Norte-Americanos, donos da casa, a então forte seleção da Romênia e a Suíça, venceu apenas o último jogo - 2x0 contra os suíços - e acabou ficando de fora das fases eliminatórias. Ainda assim, conquistou a empatia da torcida, não só dos estadunidenses, mas de muitos aficionados por futebol ao redor do mundo.

Depois de algumas campanhas destacadas, jogando em casa conseguiu alcançar o título da Copa América em 2001 com uma campanha fenomenal, vencendo todos os jogos e sem sofrer um gol sequer. Além disso teve o artilheiro da competição, Victor Aristizábal, com 6 gols marcados - além de ter sido o grande destaque da campanha de los cafetones.

Para 2014, a Colômbia vive o melhor momento de sua história no esporte. Tendo alcançado a segunda colocação nas eliminatórias da CONMEBOL - atrás apenas da Argentina de Messi e Cia., e com a 4ª colocação no ranking da FIFA, será cabeça de chave na Copa do Mundo de 2014. 
E teve sorte!
Jogará num grupo relativamente fácil, mas muito equilibrado, contra a Grécia, Costa do Marfim e Japão. Tem tudo para confirmar o favoritismo e garantir o primeiro lugar do grupo. E tem sim chances de surpreender seleções campeãs mundiais e chegar como surpresa nas fases finais da competição.

Principalmente pelo elenco que vai defender a Colômbia no mundial!

E equipe mescla experiência, sobretudo no setor defensivo, com uma juventude de certa rodagem no meio-campo e no ataque.

A base do time é composta por:
                                                       Ospina (Nice-FRA)
                                 Zapata (Milan-ITA)         Perea (Cruz Azul-MEX)
Cuadrado (Fiortentina-ITA)                                                         Armero (Napoli-ITA)

                              Zuñiga (Napoli-ITA)    
                                                                     Guarín (Internazionale-ITA)
                                     
                                             M. Torres (Atlético Nacional-COL)

                                                James Rodríguez (Mônaco-FRA)
               
                   Jackson Martínez (Porto-POR)         Falcão Garcia (Mônaco-FRA)

Como podemos ver, o time tem jogadores atuando em clubes de alguns do principais campeonatos de futebol do mundo.
Quem comanda esta base é o experiente argentino José Pekerman, que já treinou, entre outros clubes, a seleção da Argentina, inclusive em uma Copa do Mundo (2006). É lembrado por ser quem promoveu o craque Lionel Messi à seleção principal da Argentina, mas também por ter preterido o craque em alguns jogos da Copa do Mundo da Alemanha, inclusive no fatídico jogo contra os donos da casa, em que os hermanos foram eliminados nos pênaltis.

Outros jogadores que também tem aparecido em pela Colômbia e que podem pintar na Copa do Mundo são: o veterano goleiro Faryd Mondragón (42 anos) - remanescente da geração de 1994; o também veterano zagueiro Mario Yépes, de 38 anos; o jovem meia Santiago Arias, que atua no PSV-Holanda; e os atacantes Adrián Ramos, do Herta Berlin-ALE e Carlos Bacca, que atua pelo Sevilla-ESP.

Mas certamente o grande destaque deste elenco é o trio ofensivo formado por James Rodríguez, Jackson Martínez e Falcão Garcia.
O primeiro deles é jovem, tem apenas 22 anos, mas compensa sua pouca experiência com grande habilidade na perna esquerda, e uma capacidade muito grande de drible. Depois de se destacar no Porto, de Portugal, foi contratado pelo recém-milionário Mônaco, da França. É considerado uma das grandes promessas do futebol sul-americano, e substituto de Valderrama como o grande armador de jogo da seleção colombiana.
O segundo é um artilheiro nato. Por onde passou deixou sua marca de inúmeros gols marcados - seja no Independiente de Medelín (Colômbia), no Jaguares de Chiapas (México), ou no Porto (Portugal), onde atua até hoje.
E o terceiro: a típica estrela! Um trajetória vitorioso, a conquista de muitos títulos por todos os clubes onde passou, sempre destaque nas campanhas, e finalista do Prêmio Bola de Ouro da FIFA na temporada 2012. Saiu do River Plate pouco antes que este entrasse na maior crise de sua história, e foi brilhar no Porto, de Portugal, onde foi campeão da UEFA Europa League em 2010/2011. Título este que voltou a ganhar na temporada seguinte, já quando atuava pelo Atlético de Madri. Chegou ao Mônaco na metade de 2013, junto com seu companheiro James Rodríguez para tentar elevar o clube francês à grande potência da Europa. Já é o segundo maior artilheiro da história de sua seleção. E na Copa terá chances de se tornar o grande jogador colombiano de todos os tempos.

Sendo assim, quem tiver pela frente os colombianos em seu caminho no mundial, não se deixe levar pela simpatia e pelo futebol leve e solto, tão característico do futebol daquele país, porque de inofensivo há algum tempo eles já não tem mais nada.

A Colômbia é uma equipe muito ofensiva e que pode sim chegar muito longe nesta Copa do Mundo.




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Troféus merecidos

Merecidamente, depois de 4 anos vendo o arqui-rival ser consagrado, Cristiano Ronaldo faturou a Bola de Ouro ao ser eleito pela FIFA o melhor jogador de futebol em 2013.
Os méritos da conquista: 69 gols em 59 jogos, assumindo cada vez mais enfaticamente o papel de líder, craque e artilheiro, tanto no Real Madrid, mas principalmente na seleção de Portugal, onde ainda lhe faltavam grandes atuações destacáveis. E se alguém ainda tinha dúvidas, Ronaldo foi o grande responsável pela classificação lusitana ao mundial de 2014, sobretudo na repescagem, contra a Suécia, coroando um ano fantástico.
Há sim que ressaltar alguns pontos sobre os concorrentes: Messi viveu um ano excelente: jogou bem praticamente todas as partidas em que atuou. Mas atuou em muito menos partidas do que o que fomos acostumados. E as lesões que atingiram Messi nessa temporada foram exatamente as grandes responsáveis para que Messi chegasse ao dia de hoje com menos chances de levar a Bola de Ouro; enquanto isso, Ribéry teve também um ano fenomenal, ganhando praticamente tudo que disputou. Mas seus méritos pessoais não ficam tão evidentes, já que o grande valor do Bayern para ser campeão alemão, europeu e mundial foi a coletividade homogênea e equilibrada que pouco permitiria o brilho de uma estrela única.
Ainda temos que acrescentar o apoio à louvável homenagem concedida à Pelé. O melhor de todos os tempos não poderia ficar sem este troféu, principalmente por este bairrismo e eurocentrismo retrógrado que ainda nos acomete.
Jupp Heynckes, como não poderia e deveria ser diferente foi escolhido o melhor treinador de 2013.
A escolha da melhor jogadora é questionável: será mesmo que a goleira da seleção da Alemanha, Nadine Angerer, teve uma temporada superior à da melhor de todos os tempos, a brasileira Marta?
O prêmio Puskas, para o gol mais bonito da temporada, mais uma vez, foi merecidamente condecorado. Zlatan Ibrahimovic fez um dos gols mais bonitos da história, ao dar uma bicicleta de muito longe do gol adversário. A FIFA fez justiça dando o prêmio ao gigante sueco, uma vez que o gol,  foi "pintado" em 2012, poucos dias depois da escolha dos finalistas a este premio na temporada anterior.
E para a seleção do mundo na última temporada, sempre haverá quem prefira um ou outro jogador, mas a base realmente é a que foi eleita por Blatter e Cia.
Neur; Lahm, Thiago Silva, Sérgio Ramos e Daniel Alves; Xavi, Iniesta e Ribéry; Messi, Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic.
Eu questionaria apenas a presença de Daniel Alves, que é um lateral medíocre, e Sérgio Ramos, que é um zagueiro fraco e extremamente violento.
No geral, as homenagens e premiações foram bem elencadas e merecidamente concedidas, o que é novidade no "padrão FIFA" de fazer futebol.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Muita especulação, pouco de concreto.

O ano velho termina, um novo começa e o mercado de transferências no futebol continua agitado, seja aqui no Brasil, ou mesmo nos clubes estrangeiros.

 No Brasil, alguns clubes tem feito contratações muito pontuais, conseguindo qualificar razoavelmente seus elencos. Como é o caso de Santos, que principalmente do meio pra frente conseguiu muito boas contratações; o Cruzeiro, que conseguiu manter a base do time campeão brasileiro na temporada passada, e as peças perdidas foram satisfatoriamente repostas; o Palmeiras, que também manteve a base do time campeão da Série B, e fez aquisições muito importantes para a montagem de seu elenco; para um time que  se supõe disputará a Segunda Divisão, o Vasco também tem feito boas escolhas para montar o time que buscará o acesso. E só!

Os demais, ou ainda tem mais especulações do que negociações concretizadas, ou não apresentam nenhuma alternativa para qualificar seus respectivos plantéis.

Os destaques negativos ficam por conta de Atlético-MG que perdeu Bernard no meio do ano passado e ainda pode perder Ronaldinho, e ficar sem opções criativas para defender o título da Libertadores; o Corinthians que ainda não apresentou soluções para seus problemas ofensivos, tão evidenciados em 2013; e o mesmo serve para o Grêmio, que não só não trouxe caras novas para o ataque, e também pode perder Vargas e Kléber, além de jogadores que voltaran de empréstimo e ao invés de serem aproveitados, foram novamente "passados adiante".

Éverton Ribeiro no Manchester United, Seedorf como técnico do Milan, Beckham no River Plate, Falcão Garcia e Luis Suárez no Real Madrid... tudo especulação!

 No exterior, quem pouco precisava se reforçar é quem melhor já contratou: Robert Lewandowski é oficialmente jogador do Bayern de Munique, equipe campeã mundial que parece se tornar ainda mais letal.

Ainda é cedo para criar expectativas, mas parece-me que teremos um 2014 tão nivelado quanto 2013.

E como em 2013, infelizmente, nivelado por baixo, no caso do futebol nacional.

sábado, 21 de dezembro de 2013

O time do Papa

Se, de fato, o sumo pontífice tem alguma influência ou algum tipo de poder divino de interferir em nosso cotidiano, isso eu não sei e nem cabe a mim e nem a ninguém julgar, pelo menos não aqui. Mas que é muita coincidência que o primeiro Papa que se assume abertamente um admirador e torcedor do futebol, que ele veja seu time campeão nacional pouco depois de assumir o mais alto posto da Igreja Católica, isso é!

O campeonato argentino, para quem está acostumado com o Brasileirão, ou com os principais campeonatos nacionais da Europa, tem um formato bastante diferenciado. O campeonato é dividido em dois torneios: Inicial – disputado entre Agosto e Dezembro – e o Final, disputado de Fevereiro a Junho. Ambos os campeões são considerados os campeões argentinos. Portanto, na Argentina se tem duas chances por ano de ser campeão nacional. A partir de 2012/2013 a Associassón de Fútbol de Argentina decidiu criar um duelo entre os campeões do Inicial e do Final, mas ainda não decidiu qual será o título dedicado ao campeão de tal torneio, nem qual a definição de quem será o efetivo campeão argentino.

O Clube Atlético San Lorenzo de Almagro é um dos times mais tradicionais da vizinha Argentina. Segundo pesquisas, é o terceiro clube de maior torcida do país, atrás apenas dos tradicionais Boca Juniors e River Plate, superando arquirrivais como o Independiente de Avellaneda e o Racing Club. É detentor de 15 títulos nacionais, se contados todos e modelos e formatações que o Campeonato Argentino já teve. Além disso, no início dos anos 2000 foi o último campeão da extinta Copa Mercosul, e foi o primeiro campeão da então criada Copa Sul-Americana.
Curiosamente ou não, ao tornar-se Papa, Jorge Bergoglio tornou-se o mais ilustre torcedor da equipe. Um clube que foi fundado em 1908 por jovens argentinos, influenciados justamente por um padre: o salesiano Lorenzo Massa.

Já passaram pelos Cuervos grandes nomes da história do futebol argentino e sul-americano, como Oscar Ruggeri, Roberto Ayala, Rodolfo Fischer, Néstor Gorosito, José Sanfilippo (maior artilheiro da história do clube), o uruguaio Paolo Montero, além do lendário goleiro paraguaio Luis Chilavert. Mais recentemente, também passaram pelo Nuevo Gasómetro – estádio do clube – nomes conhecidos do torcedor brasileiro e mundial, como Andrés D'Alessandro, Walter Motillo, Morel Rodríguez, “El Loco” Abreu, Ezequiel Lavezzi, dentre muitos outros.

Apesar de toda a história de glórias e conquistas, de heróis consagrados, as últimas temporadas do San Lorenzo vinham sendo decepcionantes. O último titulo tinha sido no Torneio Clausura de 2007 – antigo nome do Torneio Final.

Mas, na atual temporada, a equipe comandada pelo espanhol Juan Antonio Pizzi conseguiu uma boa temporada, com 9 vitórias, 6 empates e apenas 4 derrotas (uma única derrota em casa), além de ter marcado 29 gols e sofrido 17. Com isso, sagrou-se campeão 2 pontos à frente de Lanús e Vélez Sarsfield. Este último, inclusive, foi o adversário do time de Almagro no jogo do título. Um empate por 0x0, em território rival.

O elenco que deu ao “time do Papa” o 15º título de sua história é bastante mesclado, com jogadores experientes atuando lado a lado com boas promessas do futebol portenho, e marcado pela presença de apenas um jogador não argentino. O atacante uruguaio Martin Cauteruccio, justamente um dos principais destaques do time – jogador com melhor média de gols por minuto da competição. Outro grande responsável  pelo triunfo é o veterano armador Leandro Romagnoli, camisa 10 da equipe grande cérebro da equipe. Junto dele atua na armação da equipe Ignacio Piatti, artilheiro da equipe na temporada com 8 gols. Na defesa, o destaque fica pelo jovem lateral-esquerdo Walter Kannemann, de apenas 22 anos, prata da casa no San Lorenzo e titular absoluto do time; o experiente goleiro Sebastian Torrico;  e o também experiente zagueiro Mauro Cetto.

Coincidência ou não, apenas 9 meses desde o início do papado de Francisco, seu clube do coração conquista o título argentino. É possível que o cardeal Jorge Bergoglio tenha – ao tornar-se Papa – adquirido algum poder de incidir sobre os resultados do esporte mais amado de seu país natal.

Mas o título do San Lorenzo é muito mais mérito de uma equipe muito bem equilibrada, muito bem comandada e levando a sério os ideais originais do clube: dedicação, e um time sempre lutador e aguerrido.

Mas, claro, uma ajuda divina é sempre bem vinda!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Previsão para a Champions League

Enfim chegamos ao "mata-mata"! A Champions League - maior competição de clubes do mundo - conheceu no último meio de semana os 16 classificados às Oitavas de Final, que começam só na segunda metade de Fevereiro do 2014. Contudo, hoje mais cedo tivemos o sorteio que definiu como ficaram os duelos desta próxima fase da competição.
Talvez os dois principais favoritos da competição - Barcelona e Bayern Munique -  foram quem tiveram maior azar no sorteio, uma vez que conseguiram escapar de um temido duelo contra o gigante Milan, mas não conseguiram fugir de duas perigosas equipes inglesas: O Manchester City e o Arsenal, respectivamente.

Mas vamos analisar individualmente aos duelos:

Manchester City (ING) x Barcelona (ESP)
É um confronto onde, apesar de certa vantagem do Barcelona, poderemos ter surpresa.
O Manchester City já deu provas nesta temporada de que possui um ataque formidavelmente letal, independentemente de adversários. Na Premier League, por exemplo, foram 47 gols marcados, em apenas 16 partidas, média praticamente de 3 gols por partida. Só a título de comparação, o  Arsenal - líder do Campeonato Inglês - tem 33 gols marcados nos mesmos 16 jogos (média pouco superior a 2 gols por jogo).
Portanto, o time catalão, com seu poderoso meio-campo e ataque, precisa de muito cuidado, justamente no setor do campo que inspira menos confiança, que é sua defesa, que ainda carece de companhia para Piqué, e um substituto à altura de Victor Valdés, que se despede de Camp Nou no fim do ano.
Barcelona deve passar, mas não sem muitas dificuldades!

Olympiacos (GRE) x Manchester United (ING)
Mesmo em fase muito irregular, o milionário Manchester United  é  favorito contra o tradicional time grego. Mas precisará de muito cuidado
O clube inglês vive um momento de crise pós saída de Alex Fergusson, com derrotas inexplicáveis e um elenco bastante contestado, que ocupa apenas a 8ª colocação da Premier League. Apesar disso, confirmou o favoritismo na fase de grupos da Champions League, e classificou-se na primeira colocação.
Já o Olympiacos conquistou uma classificação sofrida, inclusive empatando em pontos com o Benfica, de Portugal, e ficando em segundo lugar na chave do forte PSG. Se credencia a enfrentar o tradicional clube inglês, vindo de uma inacreditável campanha no Campeonato Grego - 14 vitórias e 1 empate, em 15 jogos; 45 gols marcados e apenas 4 sofridos - e pode oferecer dificuldades aos Red Devils.

Milan (ITA) x Atlético de Madri (ESP)
Único clube italiano classificado à próxima fase da Champions League, o tradicional clube de Milão terá pela frente, dos considerados "não-favoritos" o time mais temível dentre os classificados.
O Milan vive, tal como o Manchester United, uma fase muito ruim, mesclando bons jogos, com atuações a serem esquecidas. Tem um elenco de figurões que já não rendem, e jovens que não conseguem carregar o time sozinho. Ocupa a mísera 12ª colocação no Campeonato Italiano, com apenas 4 vitórias em 15 partidas disputadas. Conquistou a classificação às Oitavas de Finais da Champions League apenas na última rodada, com um sofrido empate em 0x0 com os holandeses do Ajax. Mesmo com toda sua história de glórias e títulos, deverá ficar de fora.
Já o Atlético de Madri vive talvez o momento mais glorioso de sua história. Após os título da UEFA Europa League (2009/2010 e 2011/2012), da Supercopa da UEFA (2010/2011 e 2012/2013) e da Copa do Rei da Espanha (2012/2013), o time colchonero agora lidera o Campeonato Espanhol, empatado em pontos com o Barcelona, e tem um elenco muito equilibrado. Conquistou com facilidade a classificação na fase de grupos, empatando apenas 1 (contra o Zenit, em São Petesburgo) e vencendo todos os outros cinco jogos, contra Porto, Zenit e Áustra Wien.
Serão confrontos muito acirrados, mas o momento incrível do Atlético de Madri deverá se sobrepor à história de títulos do Milan.

Bayer Leverkusen (ALE) x Paris Saint-Germain (FRA)
Mais um duelo de favoritismo evidente. Por mais que a equipe alemã tenha um elenco competitivo, e venha se reerguendo após algumas temporadas em baixa, o milionário PSG é franco favorito.
Com uma campanha muito irregular, o Bayern Leverkusen conquistou a classificação e o segundo lugar no grupo A, apenas na última rodada, com uma vitória por 1x0 contra o fraco Real Sociedad, da Espanha, mas deixando para trás o sempre perigoso Shaktar Donetsk, da Ucrânia. Na Bundesliga, é vice líder, 7 pontos atrás do homônimo de Munique, mas 5 pontos à frente dos aurinegros do Borussia Dortmund.
Já o – agora milionário PSG – encontra como adversários na briga pelo título do Francês, recém elevado à mesma categoria dos endinheirados, o Mônaco, e o menos pretensioso Lille. O elenco fortíssimo é forte candidato ao título da Champions League, ainda que sueco Ibrahimovic e o uruguaio Cavani ainda busquem o melhor entrosamento no ataque parisiense. Classificou-se com facilidade na Champions League, num grupo que ainda tinha Olympiacos, Benfica, e o fraco Anderlecht, da Bélgica.
Sem muito esforço, PSG deve garantir o avanço às Quartas de Finais.

Galatasary (TUR) x Chelsea (ING)

Jogar bem em casa e fazer um bom resultado: esta é a receita para o Galatasaray se quiser algum papel melhor que o de coadjuvante neste duelo. O time de Drogba, Sneijder e Cia., mesmo tendo eliminado na fase de grupos a sempre forte Juventus, da Itália, não tem elenco e nem força para derrubar os ingleses. Drogba e Sneijder, estrelas do time, ainda não assumiram o protagonismo que lhes cabe, mesmo na segundo temporada que já disputam na Turquia. No Campeonato Turco, o Galatasaray é apenas o terceiro colocado, já a 11 pontos de distância do líder Fenerbahce.
Já o Chelsea precisa apenas confirmar o favoritismo, e derrotar o clube onde agora joga o maior ídolo de sua história recente. Em fase de recuperação no Campeonato Inglês, onde já ocupa a vice liderança – empatado em pontos com o Liverpool - a equipe londrina teve poucas dificuldades para conquistar a classificação na Champions League, no grupo que ainda tinha o alemão Schalke 04, o suíço Basel, e o romeno Steaua Bucaresti. José Mourinho ainda precisa encontrar o melhor encaixe para todas as peças do bom elenco que tem em suas mãos, mas está no caminho certo.
O Galatasaray tem muito poucas chances de passar. Chelsea deve classificar sem maiores dificuldades.

Schalke 04 (ALE) x Real Madrid (ESP)

O time do Schalke, apesar de muito voluntarioso, não deve chegar mais longe do que já chegou. Não só porque enfrentará um adversário favoritíssimo ao título, mas também porque seu elenco não é dos mais confiáveis. Ocupando apenas a sexta colocação no Campeonato Alemão, o time depende muito da inspiração do jovem Julien Draxler, considerado por muitos a maior promessa do futebol europeu na atualidade. É muito pouco para um time que teve recentemente em seu elenco, nomes como o espanhol Raúl, e que revelou, também recentemente, o goleiro Neuer – considerado o melhor do mundo na atualidade. A classificação na Champions League veio com a segunda colocação no grupo E, que foi liderado pelo Chelsea.
Por outro lado, o Real Madrid, apesar da fase muito oscilante no Campeonato Espanhol, faz uma temporada de Champions League praticamente irretocável. Deixou de vencer apenas uma partida: contra a Juventus, em Turim. Mas, fora isso, foram resultados muito expressivos, como o 6x1 contra o Galatasaray, jogando na Turquia. Além disso, a fase vivida por Cristiano Ronaldo é assombrosa. O luso não para de marcar gols! No Campeonato Espanhol foram 17 gols em 15 jogos disputados (empatado na artilharia com o hispano-brasileiro Diego Costa). Na Champions League foram 9 em 6 jogos. Nesta competição a equipe estabeleceu um novo recorde de gols marcados nos seis primeiros jogos (fase de grupos): os merengues foram às redes 20 vezes. E com o aprimoramento da parceria com o galês Gareth Bale, a tendência é que essa média só aumente.
Mesmo confiando no talento de Draxler, é inevitável apontar para uma classificação sem dificuldades da equipe madrilenha.

Zenit (RUS) x Borussia Dortmund (ALE)

Neste duelo, mais uma vez temos um favorito: o atual vice campeão alemão e da Champions League, Borussia Dortmund.
O time do Zenit, de São Petesburgo não deve oferecer perigo ao time de Dortmund. Conquistou a classificação num grupo fraco, sofrendo para eliminar o Porto, do afundado futebol português, e o desconhecido Áustria Viena. Conseguiu apenas uma vitória em seis jogos, além de três empates e duas derrotas. Chega a ser um crime pensar que o Zenit ficou com a classificação, enquanto no grupe do Borussia Dortmund, a equipe que ficou em terceiro lugar, o temível Napoli, conquistou 12 pontos num grupo muito mais difícil do que o dos russos. Ainda que o time lidere o fraco Campeonato Russo, nem mesmo um super-herói, como brasileiro Hulk – um dos destaques do time - salvará os russos da eliminação na Champions League.
O Borussia conseguiu manter a forte base do elenco da temporada passada, e deve garantir o favoritismo contra o Zenit. Na fase de grupos da Champions League, os alemães tiveram muita dificuldade, uma vez que caíram no grupo mais forte da competição, contra os ingleses do Arsenal, os italianos do Napoli e os franceses do Olympique de Marseille. Borussia, Arsenal e Napoli terminaram a primeira fase com os mesmo 12 pontos (o Olympique não conquistou nenhum). Os alemães e os ingleses ficaram com a vaga nos critérios de desempate. Apesar da temporada nem tão boa na Bundesliga, onde ocupa apenas a terceira posição, 12 pontos atrás do líder Bayern de Munique, o Borussia é sempre uma equipe muito forte e competitiva, sobretudo jogando diante de sua apaixonada torcida. Resta saber como a equipe conseguirá se arrumar com a iminente saída de duas de suas principais peças do elenco: o jovem alemão Marco Reus, e o artilheiro polonês Robert Lewandowski.
Borussia classifica com facilidade e deve massacrar.

Arsenal (ING) x Bayern Munique (ALE)

Azar do Arsenal pegar (novamente) nas Oitavas de Finais, o poderoso e multicampeão Bayern de Munique.
O clube londrino, líder do campeonato inglês, fez uma fase de grupos na Champions League muito boa, mas perdeu a primeira posição no grupo e a perspectiva de duelos mais fáceis na fase seguinte, no último jogo, quando foi à Nápoles enfrentar o Napoli, e acabou perdendo por 2x0, mesmo com a equipe italiana eliminada. O Arsenal é uma das grandes promessas da temporada. Vive um ano de recuperação após temporadas muito oscilantes. Contudo, ter que duelar tão cedo contra o atual campeão da competição certamente não estava nos planos de Arsène Wenger e seus comandados. Não significa a eliminação, mas significa que o caminho inglês será difícil desde o começo.
Já o Bayern Munique dispense apresentações, campeão de tudo que disputou na última temporada, mantém a excelente fase, apesar da troca de treinador. Acendeu-se um pequeno sinal de alerta ao perder a final da Supercopa da Alemanha para o rival Borussia Dortmund, logo no começo desta temporada. Mas a larga vantagem na liderança na Bundesliga (7 pontos de dianteira, adquiridos em apenas 16 jogos), e o bom início de Champions League (5 vitórias e um tropeço inesperado para o Manchester City, em plena Allianz Arena, quando venciam por 2x0 e levaram a virada dos Citzens) o credenciam como favorito, não só neste duelo, mas também para faturar o bicampeonato europeu.
A vitória do Arsenal seria uma grata surpresa. Mas, não é o mais provável. Bayern deve classificar-se.

Há muito tempo ainda entre o sorteio e os primeiros jogos, então muita coisa ainda pode acontecer. Mas só surpresas ou desastres muito grandes poderão ir contra os favoritismos já estabelecidos a partir da definição dos confrontos.

É aguardar e torcer!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A vergonha de quem está acostumado a virar a mesa

O que tem acontecido nos dias que se seguem ao fim da Campeonato Brasileiro é uma sequência de tentativas desesperadas de clubes considerados grandes, objetivando fugir do rebaixamento através de ações extra campo, movidas por vias judiciais, já que dentro de campo tais equipes foram tão ou mais medíocres e ridículas, quanto tem sido fora dele.

Fluminense e Vasco tentam arrumar brechas no regulamente para escapar de um descenço que é motivado por inúmeros outros motivos, que variam muito longe dos alegados nos recursos que movem junto ao STJD.

Convenhamos: o Vasco não foi rebaixado porque o jogo contra o Atlético-PR ficou parado (graças à briga de seus próprios torcedores) 16 minutos a mais do que a uma hora prevista como passível pelo regulamento. Uma mesquinharia que beira o desumano, visto que o jogo ficou paralisado tanto tempo tendo em vista a grave situação de alguns torcedores depois da batalha promovida entre os próprios.
O rebaixamento da equipe de São Januário é causado pela vergonha que é a administração financeira do clube. Jogadores sem salário não rendem. A derrota na última partida - em cujo resultado nada interferiu a paralisação -  foi só mais uma da temporada tenebrosa vivida pelo clube.

Convenhamos II: tudo bem que o regulamento é claro, e que o meia Héverton não deveria ter entrado em campo na última rodada, contra o Grêmio, mas que diferença isso faz nos reveses incansáveis do tricolor carioca no campeonato, ou mesmo na vitória sobre o Bahia, na última temporada? Que diferença Héverton fez no jogo contra o Grêmio, que possa ter influenciado no desempenho do Fluminense na temporada - tão vexante quanto a do rival Vasco?
Nem quero mencionar aqui a discutível imparcialidade dos julgamentos promovidos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, sempre desfavorecendo atletas de clubes de "menor expressão".

A Portuguesa tem que ser punida? Sim.
Rebaixada? Talvez!
E o Fluminense salvo? De forma nenhuma!

Se a Portuguesa tem que sofrer punição, que sejam 5 os rebaixados, e consequentemente 5 os promovidos da Série B para a Série A em 2014! Que se rebaixe Fluminense, Portuguesa, Vasco, Ponte Preta e Náutico, enquanto suba, além dos já classificados Palmeiras, Chapecoense, Sport e Figueirense, o quinto colocado na Segundona 2013, no caso o Icasa.

Pela vergonha das temporadas que fizeram, Vasco e Fluminense deveriam jogar a Série B de 2014, com a humilhação de estar na Segundona, mas com a certeza de estar, por caminhos limpos, onde fizeram por merecer. Muito melhor do que estar na primeira divisão, mesmo sabendo do campeonato ridículo que fizeram em 2013.

Só o que não precisamos é de mais um caso em que "clubes pequenos" sejam desfavorecidos, não para pagar por seus erros, mas para beneficiar "clubes grandes". Não precisamos de mais um caso de "virada de mesa" envolvendo os grandes do Brasil, como já aconteceram, envolvendo - inclusive - o próprio Fluminense.

Nosso futebol já tem motivos pra se envergonhar, muito mais do que mais uma jogada política de influências e de poderes.

Só um último comentário, inútil, mas sincero: com a experiência de torcedor que viu seu time passar por isso mais de uma vez, jogar a Série B é triste, humilhante, vergonhoso, decepcionante, mas como todas as vivências nos "níveis inferiores", é um acontecimento enriquecedor - se não financeiramente (que é para onde todos olham), pelos menos são experiências muito importantes que podem ser adquiridas.